domingo, 25 de abril de 2010

As muitas faces de uma cidade! Um documentário, muitas vidas e resistências cada vez mais possíveis


por Pâmella Passos (OICult/IFRJ)



(...) o crescimento do ciberespaço resulta de um movimento internacional de jovens ávidos para experimentar, coletivamente, formas de comunicação diferentes daquelas que as mídias clássicas nos propõem. (...) estamos vivendo a abertura de um novo espaço de comunicação, e cabe apenas a nós explorar as potencialidades mais positivas deste espaço nos planos econômico, político, cultural e humano. (Pierre Lévy, 1999:11)

Privilegiada por assistir ao documentário “As muitas faces de uma cidade” antes de seu lançamento oficial e por ter a oportunidade de discutir com seus diretores e produtores, Mano Zeu e Danilo George, voltei ao Rio de Janeiro sedenta para escrever e coletivizar o que vi, jovens que, com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, estão resistindo e fazendo a diferença. No entanto, o impacto do retorno ao Rio pós-enchente, fez-me paralisar. As ruas entupidas de descaso, a TV transbordando insensibilidade ao explorar a dor de tantos que recorrentemente são esquecidos, me fez pensar: quantos morros desabarão até que percebermos a concentração de renda e fundiária em nosso país?

Passada a paralisia, destaco a inovação e coragem do documentário que descreve brilhantemente as contradições de uma cidade como Foz do Iguaçu, de tantas belezas naturais, que irradia energia para grande parte do território nacional, sendo ao mesmo tempo a cidade que mais morrem jovens. Rio, São Paulo, Vitória, Fortaleza, e tantas outras capitais sentir-se-iam contempladas e identificadas ao assistir esse curta, pois a película apresenta modelos de cidades que não são para todos, ou ainda, as diferentes formas de (sobre)viver na cidade. Nessas muitas faces das tão variadas cidades, encontramos jovens que arrumam seu trampo ou bico, que se divertem e que reinventam a vida nesta terra em que o Estado faz viver e deixa morrer.

A demanda do capital em ampliar seu mercado desdobra-se na redução dos preços unitários, possibilitando que novos segmentos tenham acesso a tecnologias antes restritas, estamos na fase do turboconsumo. Tal cenário nos permite pensar as possibilidades de alteração do status quo a partir dos frutos do processo de globalização. São os usos e apropriações dos meios.

Os jovens de Foz do Iguaçu exploraram estes novos caminhos, correndo os mesmo ou talvez piores riscos do que aqueles que desbravaram os mares no século XV, porém o objetivo é bem distinto. O processo é de emancipação, denúncia, criação e arte. As músicas, as cenas, o roteiro: é a cultura popular apropriando-se das novas tecnologias. Seus idealizadores, também passaram pelo curso de Agentes Culturais populares, potencializando todo o talento que possuíam. As favelas e periferias desse país aprendem a dominar as linguagens em circulação para assim falar de sua realidade a partir de seu ponto de vista.


Mas há também — e felizmente — a possibilidade, cada vez mais freqüente, de uma revanche da cultura popular sobre a cultura de massa, quando, por exemplo, ela se difunde mediante o uso dos instrumentos que, na origem, são próprios da cultura de massas. (Milton Santos,2006:144)

Parabéns aos que construíram, acreditaram e apoiaram esta iniciativa. Aos familiares e amigos dos produtores, força e convicção para saber que as retaliações virão, mas “unidos seremos sempre mais”. Estamos juntos lutando pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo.

Um comentário:

Fernanda disse...

Olá pessoas .Sou estudante da UFF. Gostei muito da iniciativa de voces, de dar a cara a tapa e falarem as verdades escondidas pela 'elite' e pela mídia. A cultura abrange muito mais do que as pessoas imaginam.
Parabens pelo trabalho de voces.
Sigo voces daqui pra frente. Abraços!!!