domingo, 7 de dezembro de 2008

Dois Poemas de Deley de Acari (foto de Naldinho Lourenço)


UM REAL NA FAVELA VALE MUITO

In memorian de Mateuzin da Baixa

(estudo ainda inacabado de um poema inspirado numa foto)

Um real na favela vale muito,
Vale o pão do café das mães,
Vale meia dúzia de “ovo”
Pra misturar no miojo do almoço,
Vale uma viagem pelo mundo
Nos caminhos imensuráveis
Da web,

Um real na favela vale muito,
Vale um guaravita e um traquina
Pra enganar a barriga, até chegar
Em casa quando falta merenda
Na escola,

Um real na favela vale muito,
Um real, de prata e dourado,
Reluzente o ao sol
Alumbrando a alma sublime
Na palma da mão de um
Menino morto por um estado
Policial fascista cruel e desumano...

A prata de moeda denuncia
A espada da perversa guerra,
O ouro da moeda denuncia
A ganância da classe dominante
E sua sanha de poder,

A pequena mão espalmada
Mostrando a moeda é a própria
Mão do Tribunal Popular
Permanente do Mundo sentenciando
Que a vida de uma criança
Não tem preço, não se mede por dinheiro,
Ela é imensurável, como seus sonhos,
Suas esperanças, seu futuro, sua vida,


Um real na favela vale muito,
Um real na mão de uma criança
Assassinada numa viela de favela
Pela cruel e desumana mão armada
Do estado policial é uma sentença muda:

O Estado Policial Não presta, e antes
Que reduza a vida no Campo, favela e na periferia
A uma prata de real,
É preciso, sentar no banco dos réus
Do Tribunal Popular dos Povos,
Ser julgado, condenado e sentenciado
A ser destruído e reduzido a nada.

Um real na favela vale muito,
Quando na mão espalmada
De uma criança morta pelo estado...
Porque mostra os governantes
Não prestam, não valem sequer
Um real de pinga aguada.

************************
Minha querida, amada irmazinha,

Desculpe a rima pobre, mas:

Quem pôs a Maré de luto,
vai ver agora o quanto
a Maré é de luta!

A Maré, principalmente
Timbau e Baixa,
por muito tempo foi abrigo
de muitos crías acarienses,
que aí viveram o lado certo
da vida errada, graças
ao abrigo e carinho mareense
muitos deles viveram o bastante
pra sair "da vida" e viver
uma vida de paz, fora do crime.

Por isso, Timbau,Baixa, não é pouco não!
é um muito de Acari ,
que então, se a maré esta de luto,
e por isso vai a luta,
acari tá junto e ajuntadopra ir a luta com a maré...
até onde a maré for de lutar.

Que o povo da Baixa, do Timbau,
nunca se esqueça que o povo do AKA
ama voces amorosativamente.

Amamos voces, e odiamos e queremos
ver destruidos todos que com ódio e crueldade
fazer mal e sofridão, a toda gente que
amamos e sabemos que nos ama também!

beijos, carinho, e mãos juntas
com o povo da maré!

deley de acari

3 comentários:

anastacia :Q disse...

Os poemas poderiam virar mesm uma música.

Leonardo Freitas disse...

Legal. Isso aí.
Sempre bom acompanhar o Blog.
Um abraço.

Leandro Marlon disse...

Um real. Um real numa lan house da favela. Um real de produção alienante. Um real para padronizar.

Um real deles ou dos seus?
Existe diferença do 'um real'?